Solteiras vs. Solteironas

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Se há coisa que me irrita são as solteironas. Hoje em dia, ao contrário do que deveria acontecer, há cada vez mais solteironas. E é importante não confundir as solteiras com as solteironas. Estamos a falar de universos totalmente distantes. As solteiras são as pessoas como eu. Podem ter 25 ou 70 anos, mas têm a convicção de que não precisam de ninguém para estarem bem. As solteironas não. Também as há de todas as idades, mas normalmente são solteiras que descarrilaram. Cedendo às pressões da sociedade (não das hormonas, que essas resolvem-se como as solteiras resolvem), chegam a uma altura da vida em que sentem um chamamento para o enlace matrimonial. Não porque encontraram o homem da vida delas. Não porque querem passar o resto da vida com aquela pessoa. Apenas porque toda a gente à sua volta já respondeu ao chamamento e ela continua a ir sozinha a festas e eventos de familia, e começa a sentir-se frustrada em dar por si no meio de um bando de adolescentes imberbes a tentar apanhar um ramo num qualquer casamento. As solteiras podem ceder a pressões e transformar-se em solteironas. O processo é indolor e irreversivel. Não se dá conta que aconteceu, mas depois de ter acontecido, não há retorno. Uma das principais características das solteironas é a inveja. Ao contrário do que seria de esperar, elas não têm só inveja das amigas/ conhecidas casadas. O não atingir dos objectivos (que rapidamente se transforma numa obsessão) de encontrar um pobre coitado que caia na sua rede de ‘marido precisa-se, JÁ!, tem resultados devastadores. Primeiro são as amigas que vão casando, e às quais elas vão descobrindo, sucessivamente, defeitos cada vez maiores. De seguida, passam às que começam a namorar, tentando minar as relações com observações inconvenientes sobre o macho em questão. A frustração atinge níveis tão intensos, que em breve a invejosa da solteirona fica ressabiada com tudo e todos. A felicidade (conjugal ou não) dos outros irrita-a. A alegria e vontade de viver dos que a rodeiam deprime-a. As solteironas têm, muitas vezes, dupla personalidade. São cabras, mas não o mostram. O bem dos outros faz-lhes mal. Mesmo que acabem por encontrar uma vítima, o que dificilmente acontece – porque os homens muitas vezes cedem à libido, mas nem por isso são parvos – normalmente encontram homens tão desinteressantes, que estão convencidos que o clitóris é uma ilha grega. E a desilusão na realização do ‘sonho’ é tão má como a não realização do mesmo. E continuam infelizes. E é isso, essencialmente, que as separa das solteiras. É que a elas, o bem dos outros faz-lhes mal. Já a mim, don’t care!

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